Entrevista com a ex-membra do NCD Paolla Ferreira

Paolla Ferreira tem 23 anos e cursou Ciências Biológicas na Ufes. Ela entrou no Núcleo de Cidadania Digital (NCD) em Agosto de 2015 para o cargo de secretária administrativa, aos 22 anos, faltando apenas um semestre para colar grau como barachel e dois semestres como licenciada.
 
Como secretária administrativa, ela conta que trabalhava com as coisas mais burocráticas do NCD, como por exemplo fazendo pedido, emissão e controle de certificados, solicitações de reparos no NCD, organização e formação de novas turmas, efetivação de matrícula e cadastramento de novos usuários. Já como acompanhamento pedagógico - cargo que assumiu após alguns meses - ela trabalhava como professora auxiliar nas turmas formadas, sendo assim, orientava, tirava dúvidas e re-explicava pontos fundamentais do conteúdo que não ficaram claros para os alunos. Também atuou na correção de apostilas.
 
Paolla conta que tudo que aprendeu no NCD  está compondo seu currículo atualmente. Desde aprender a trabalhar com o sistema operacional Linux, a organizar melhor seus próprios documentos, como “também todos os momentos dentro dos cursos em que você precisa ser atenciosa, compreensiva e paciente com seus alunos.” Além disso, como membro da equipe de acompanhamento pedagógico, ela executou muitas atividades que acrescentaram e enriqueceram  muito a sua experiência como professora. Isso “contribuiu muito para minha formação como licenciada”, ela conta. “Estar dentro de sala, auxiliar os alunos, compartilhar conhecimentos, se doar... Tudo isso faz um professor em formação ter a certeza de que está percorrendo o caminho correto, mesmo quando muitas dificuldades são impostas para nós.”
 
Sobre a mudança para a equipe de Acompanhamento Pdagógico, Paolla ressalta que isso a deixou mais motivada “uma vez que estava me formando para ser professora, então era uma oportunidade de conviver nesse meio. Sempre fui uma pessoa que gostava de ajudar as outras, por isso me vi muito feliz quando eu sabia que podia fazer a diferença na vida de muitos alunos, ora tirando dúvidas, ora apenas oferecendo uma palavra amiga. Toda essa relação professor-aluno é muito importante na formação do professor e também do aluno, ela o incentiva a se dedicar mais, por isso creio que essa relação tenha sido uma das coisas mais importantes que vivi no NCD.”
 
Trabalhar em um projeto de inclusão digital a fez abrir os olhos para muitas coisas, do próprio cotidiano que deixava passar despercebido. [...] “Muitas pessoas ainda não sabem utilizar o mouse e/ou teclado de um computador, não porque se acomodaram, mas sim porque não há condições para que se exercite.” Ela ressalta que aprendeu no NCD que igualdade de oportunidades não é o mesmo que igualdade de condições, e é por isso que se orgulha em dizer que fez parte desse projeto que alfabetizou digitalmente muitas e muitas pessoas, dando dignidade para elas, fazendo o verbo incluir ter o seu real sentido. “Só de saber que muitas pessoas não sabiam sequer digitar seu nome em um computador e hoje já utilizam o meio digital para trabalhar, me faz acreditar que esse projeto faz sim a diferença e é um orgulho enorme poder ter feito a diferença na vida de cada aluno que acompanhei.
 
O NCD me fez crescer como pessoa ao passo que, ao sair, após todas essas experiências, me senti mais humana, mais engajada, muito mais atenta às dificuldades sócio-digitais. Observar a realidade de muitas pessoas que difere tanto da minha me fez e me faz, até hoje, refletir e querer mudar, melhorar essa realidade. Sei que não sou a mesma que entrou e isso me deixa feliz, pois saí do NCD para a "vida", me formei e me sinto mais forte para encarar qualquer realidade por mais distinta da minha, afim de transformá-la como fiz, ai dentro, ensinando um pouco de informática para algumas pessoas. Olho para novos desafios sabendo que é possível vencer!”