NCD firma parceria com o Centro Comunitário de Itararé

Como forma de expandir as áreas físicas de atuação e potencializar a promoção da inclusão sociodigital, o Núcleo de Cidadania Digital (NCD) estabeleceu parceria com o Centro Comunitário de Itararé e criou o Núcleo Comunitário de Inclusão (NCI).
 
A idéia firmada surgiu de uma reunião com o movimento para criar uma proposta que utilizasse o espaço disponível e que o transformasse em um núcleo de inclusão. “Eles tinham infraestrutura com computadores montados pela prefeitura mas não estavam utilizando há mais de um ano. Nossas intenções se uniram pois eles também queriam seguir com algo que realmente capacitasse as pessoas e desse uma formação”, explica o ex-coordenador de Projetos e Inovação do NCD, Hudson Ribeiro.
 
O objetivo do projeto NCI é atuar como um agente transformador da realidade, investindo na formação profissional para contribuir com a diminuição da situação de vulnerabilidade social e desemprego que a comunidade enfrenta. Além disso, busca-se capacitar pessoas da região para atuar futuramente como instrutores do laboratório, transmitindo seus conhecimentos adquiridos. O projeto foi consolidado inicialmente em Itararé, mas a proposta é expandir a área de atuação cada vez mais para outros bairros.
 
O local
 
Itararé faz parte do denominado “Território do Bem”, composto por um conglomerado de bairros carentes da Grande Maruípe: São Benedito, Jaburu, Itararé, Floresta, Engenharia, Bonfim, Bairro da Penha e Consolação. Segundo a pesquisa “Saberes, Prazeres e Perfil de Moradores”, realizada em 2008, cerca de 80,3% das famílias da região possui baixa renda (destas, 65% têm renda menor que dois salários mínimos). Além disso, a maioria tem pouca escolaridade e não tem a oportunidade do acesso à internet.
 
O ex-coordenador de Projetos e Inovação aponta que a iniciativa tem grande importância na construção de novas expectativas para a população. “Não devemos ficar restritos à somente Itararé. O NCI tem a idéia de levar para a população das comunidades a capacidade de se tornar pessoas autônomas em relação às tecnologias de informação e comunicação, e empoderá-las para utilizar de forma crítica”, afirmou.
 
As aulas
 
O primeiro curso ministrado pelo NCD dentro do laboratório da comunidade foi de Mouse e Teclado, iniciado em dezembro de 2016, e o público é composto  principalmente por pessoas da terceira idade. Mauricéia Félix, 44, faz parte do movimento comunitário e se interessou pelo curso pois tem pouco conhecimento em informática e pretende se aperfeiçoar. “Eu quero aprender mais e passar um pouco do que eu aprender para outras pessoas. Quanto mais a gente aprende, mais a gente quer conhecer. Fiquei bem curiosa e pude esclarecer algumas dúvidas que eu tinha a respeito do teclado", afirmou. 
 
 
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Outro aluno entusiasmado com o projeto é Izaías Viana da Rocha. Ele tem 50 anos e conta que o curso está fazendo diferença na vida profissional dele. “Nesse momento, o curso já está sendo muito importante para mim porque onde trabalho, eu preciso saber utilizar o mouse e teclado. Os instrutores são muito atenciosos e pacientes”, disse.
 
 
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O Diretor de Ensino do NCD, Jonas Fiorini, sente que o trabalho está dando resultados pois consegue ver a transformação sendo realizada. “Os alunos demonstram maior gratidão pelo nosso trabalho. Creio que isso se deve ao fato de normalmente eles serem marginalizados e esquecidos por outras organizações”, disse.
 
Autora: Barbara Coutinho